Como quebrar o ciclo?

Outro dia, eu postei aqui um artigo falando sobre a ineficácia da palmada e o quanto isso pode ser prejudicial para a criança. Pois bem, hoje, resolvi escrever sobre minha própria experiência com isso.

É incrível como certas escolhas com relação à forma de criar os filhos pode afetar o seu passado (sua infância) e o seu futuro (o que você deseja para o seu filho). Eu não culpo a minha mãe pelas escolhas dela pois sei que ela não tinha o mesmo tipo de informação disponível assim como eu tenho hoje. Ela provavelmente fez comigo (e com meu irmão) a mesma coisa que os pais dela fizeram com ela. Esse era o modelo de criação de filhos que ela teve.

Eu nunca parei para pensar nisso até escrever aqui no blog sobre a palmada. Eu achava que tinha crescido como uma pessoa “normal”. Mas acabei me dando conta de que não sou “normal”, eu nunca tinha prestado atenção em como as palmadas e os gritos tinham realmente me afetado. Eu não morri,  mas não estou realmente bem. E eu só me dei conta disso no dia em que eu tive que me segurar para não bater na minha própria filha. Muitas vezes, a pequena E. passa dos limites e testa minha paciência e eu tenho que lutar contra o impulso de dar uma palmada nela. Outro dia, eu estava no computador de costas para ela, quando ela me deu uma mordida nas costas. Doeu, levei um susto e pulei. Ela caiu sentada e começou a chorar com o susto. Meu marido veio ver o que era e lá estava eu gritando com uma menininha de pouco mais de 1 ano de idade. Mais tarde, quando eu já estava calma, ele conversou comigo e me fez perceber a minha agressividade. Eu não quero ser igual a minha mãe, não neste sentido. Tem muitas coisas que eu admiro na minha mãe. Muitas mesmo. Ela é uma batalhadora, criou a gente praticamente sozinha. É uma mulher honesta, trabalhadora, com muita moral e super inteligente. Mas, às vezes, é mais fácil falar do que fazer. Essa minha agressividade vem da minha infância. Eu cresci levando palmada e escutando gritos. Esse foi o modelo de criação de filhos eu tive.

A palmada ensina as crianças que violência é a solução dos problemas. Bater ensina que nós podemos e devemos usar coerção física para conseguirmos o que queremos. Se é difícil para qualquer pai ou mãe saber o que fazer quando uma criança desobedece, é mais difícil ainda para aqueles que foram disciplinados com palmadas e castigos físicos quando crianças. Se eu não tivesse feito essa reflexão, eu poderia ter continuado a fingir que está tudo bem. Mas eu tenho acesso a informações, mais do que minha mãe tinha quando eu era pequena. Agora eu tenho melhor conhecimento, então eu tenho que fazer melhor! Pra mim, ser educado (ter conhecimento) é mais do que saber sobre a fralda que você usa em seu filho ou sobre o leite que você compra pra dar pra ele. Conhecimento começa dentro de você, se você não se conhece, não entende a sua própria história, sua dor e de onde ela vem, você não poderá ser uma mãe diferente e melhor para seu filho.  Eu estou fazendo meu melhor para quebrar este ciclo.

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